20/03/2018

Metrô Anhangabaú




Prezados,


Vou relatar uma pequena história desta estação, do meu ponto de vista, trabalhando à época  na Cia Do Metrô.

A 1ª linha, Norte-Sul (Santana – Jabaquara, denominada linha Azul) estava parcialmente em operação comercial, e seguia em construção. A 2ª, Linha Paulista, teve sua construção iniciada e interrompida. Estava em desenvolvimento a 3ª, Linha Leste-Oeste, que inclui esta Estação.

A implantação seguia a Rede Básica proposta pelo Consórcio HMD na década 1960, com  alterações posteriores propostas pela Cia. do Metrô. A proposta HMD tinha claramente a  influência de sua origem, Alemanha: atendimento lindeiro (origem e destino dos passageiros próximos das estações),  típico dos metrôs da Europa, com carregamento na faixa de até 20.000 passageiros/hora.

São Paulo, no entanto, situava-se muito fora deste parâmetro; iniciado mais de 100 anos após Londres, e já uma grande metrópole com 10 milhões de viagens/dia.  Um Metrô “convencional” seria inviável para suprir este atraso.

Nosso Diretor de Planejamento de Tráfego, Roberto Scaringella, tratou pessoalmente de passar um período na França, onde estava sendo implantado o Metrô regional, com linhas de maior capacidade e grande integração com os diversos sistemas de transporte.
Retornando, promoveu uma alteração radical no projeto da Linha Leste-Oeste; entre diversas mudanças, incluiu a eliminação da Estação Anhangabaú. 

As modificações foram em geral bem recebidas, exceto esta relacionada à Estação, que gerou grande polêmica e divisão de opiniões. Chegou um momento em que as discussões eram tantas, que o Presidente à época, Plinio Assmann, PROIBIU que se falasse do assunto na Companhia, ficando a estação eliminada.

Algum tempo depois, com a mudança de Presidente e com o Prefeito, Olavo Setubal, recebendo muitas pressões, fui chamado pelo Presidente, Francisco Lima de SOUZA DIAS Sobrinho, que encomendou um estudo para apresentar ao Prefeito. Fiz na hora um programa de trabalho, com os itens a serem estudados, que ele aprovou; pedi 60 dias.

Ele retrucou com uma frase que ficou marcada: “Não, Jasel; hoje é segunda-feira, estarei sexta com o Prefeito, que quer ler seu relatório; sabe o tamanho ideal de um relatório? Deve ter o tamanho de uma saia de mulher: suficientemente curto para ser atraente e suficientemente longo para ser decente”.

Pude me comprometer porque, com a experiência da Linha Norte-Sul, o Metrô já possuía uma equipe técnica de excelência em todas as áreas envolvidas. Reunimos um grupo com cerca de 15 técnicos de várias especialidades, e em 4 dias elaboramos um belo trabalho, abrangendo desde a análise urbanística e do sistema de transportes com e sem a Estação, um Pré-Projeto arquitetônico e seus impactos urbanos, a definição do sistema construtivo, um pré-dimensionamento de todos os elementos da Estação e uma estimativa de custos.

O Prefeito leu o relatório inteiro, sucinto (apenas 10 páginas), e aprovou a inclusão da Estação. A excelência citada acima chegou a tal nível, que as obras foram contratadas por um valor 5% abaixo do estimado; para um estudo deste vulto, em apenas 4 dias, isto foi considerado “acertar na mosca”.

Minha participação neste trabalho e nesta equipe muito me honrou e me envaideceu.

Encaminhem seus comentários.

Postado por Jasel Neme

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