Prezados,
Vou relatar uma pequena história
desta estação, do meu ponto de vista, trabalhando à época na Cia Do Metrô.
A 1ª linha, Norte-Sul (Santana – Jabaquara, denominada linha Azul) estava parcialmente em operação comercial, e seguia em construção. A 2ª, Linha Paulista, teve sua construção iniciada e interrompida. Estava em desenvolvimento a 3ª, Linha Leste-Oeste, que inclui esta Estação.
A implantação seguia a Rede
Básica proposta pelo Consórcio HMD na década 1960, com alterações posteriores propostas pela Cia. do
Metrô. A proposta HMD tinha claramente a
influência de sua origem, Alemanha: atendimento lindeiro (origem e
destino dos passageiros próximos das estações),
típico dos metrôs da Europa, com carregamento na faixa de até 20.000
passageiros/hora.
São Paulo, no entanto, situava-se
muito fora deste parâmetro; iniciado mais de 100 anos após Londres, e já uma
grande metrópole com 10 milhões de viagens/dia.
Um Metrô “convencional” seria inviável para suprir este atraso.
Nosso Diretor de Planejamento de
Tráfego, Roberto Scaringella, tratou pessoalmente de passar um período na
França, onde estava sendo implantado o Metrô regional, com linhas de maior
capacidade e grande integração com os diversos sistemas de transporte.
Retornando, promoveu uma
alteração radical no projeto da Linha Leste-Oeste; entre diversas mudanças,
incluiu a eliminação da Estação Anhangabaú.
As modificações foram em geral bem
recebidas, exceto esta relacionada à Estação, que gerou grande polêmica e
divisão de opiniões. Chegou um momento em que as discussões eram tantas, que o
Presidente à época, Plinio Assmann, PROIBIU que se falasse do assunto na Companhia,
ficando a estação eliminada.
Algum tempo depois, com a mudança
de Presidente e com o Prefeito, Olavo Setubal, recebendo muitas pressões, fui
chamado pelo Presidente, Francisco Lima de SOUZA DIAS Sobrinho, que encomendou
um estudo para apresentar ao Prefeito. Fiz na hora um programa de trabalho, com
os itens a serem estudados, que ele aprovou; pedi 60 dias.
Ele retrucou com uma frase que
ficou marcada: “Não, Jasel; hoje é segunda-feira, estarei sexta com o Prefeito,
que quer ler seu relatório; sabe o tamanho ideal de um relatório? Deve ter o
tamanho de uma saia de mulher: suficientemente curto para ser atraente e
suficientemente longo para ser decente”.
Pude me comprometer porque, com a
experiência da Linha Norte-Sul, o Metrô já possuía uma equipe técnica de
excelência em todas as áreas envolvidas. Reunimos um grupo com cerca de 15
técnicos de várias especialidades, e em 4 dias elaboramos um belo trabalho,
abrangendo desde a análise urbanística e do sistema de transportes com e sem a
Estação, um Pré-Projeto arquitetônico e seus impactos urbanos, a definição do
sistema construtivo, um pré-dimensionamento de todos os elementos da Estação e
uma estimativa de custos.
O Prefeito leu o relatório
inteiro, sucinto (apenas 10 páginas), e aprovou a inclusão da Estação. A
excelência citada acima chegou a tal nível, que as obras foram contratadas por
um valor 5% abaixo do estimado; para um estudo deste vulto, em apenas 4 dias,
isto foi considerado “acertar na mosca”.
Minha participação neste trabalho
e nesta equipe muito me honrou e me envaideceu.
Encaminhem seus comentários.
Postado por Jasel Neme
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